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por Vivo Seu Dinheiro

Quantitative easing é estratégia para conter a deflação; entenda

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Há décadas os brasileiros convivem com um índice de inflação muito superior ao que se encontra em países com uma economia mais estável. Tanto que um possível cenário de deflação (uma inflação negativa, ou queda de preços) parece irreal, apesar de soar como muito positivo. Mas você sabia que existem medidas como o quantitative easing, que são tomadas com o objetivo de, entre outras coisas, conter a deflação?

A medida é pouco convencional, mas foi a alternativa encontrada pelo Banco Central Europeu (BCE) no início de 2015 para estimular a economia no continente. Isso porque a deflação é encarada, muitas vezes, como um sintoma da queda no crescimento econômico. No caso da Europa, a intenção era aproximar a inflação dos 2%, a meta do BCE.

BCE apostou no quantitative easing

Banco Central Europeu lançou mão do alívio quantitativo para estimular a economia. Foto: iStock, Getty Images

O que é quantitative easing

A ação chamada de quantitative easing, ou alívio quantitativo, ocorre quando o banco central de um país cria dinheiro de forma eletrônica para comprar ativos de bancos comerciais, incluindo títulos de dívida pública.

Assim, aumenta a quantidade de moeda circulando no país e gerando inflação – pois os bancos são encorajados a canalizar os recursos para a economia real, elevando a oferta de crédito a juros baixos para pessoas físicas e jurídicas.

Como mencionado acima, trata-se de uma política monetária pouco convencional para estimular a economia, que é adotada apenas quando medidas mais ortodoxas não surtem efeito. Normalmente, isso acontece quando os bancos privados não têm uma grande disponibilidade de recursos porque investir em títulos do governo não é rentável, uma vez que os juros pagos são próximos de zero.

Por que conter a deflação?

Se você não entende qual é o problema de ver os preços caindo, ou seja, um cenário de deflação, provavelmente é porque observa a situação apenas com os olhos de um consumidor individual que vai ao mercado fazer compras. Como na macroeconomia uma coisa está sempre ligada à outra, a queda constante nos preços geralmente é sinal de uma crise.

Para compreender, basta pensar na origem da deflação. Ela costuma ocorrer porque a capacidade produtiva da indústria e do setor agrícola é maior do que a demanda de consumo. A queda nos preços e no consumo leva a uma diminuição do lucro nas empresas, o que gera cortes na produção e demissão de funcionários, aumentando o índice de desemprego.

Por isso, o quantitative easing é uma medida emergencial: injetando dinheiro na economia real, os consumidores melhoram seu poder de compra ao mesmo tempo que a moeda é desvalorizada e o preço dos produtos sobe.

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Riscos da estratégia

O risco que um banco central corre ao utilizar o quantitative easing é perder a mão e criar uma inflação alta demais. Outro ponto de atenção é que comprar ativos dos bancos não é garantia de que eles apliquem o dinheiro recebido na economia real em vez de outras opções do mercado financeiro. Por essas e outras, essa tentativa artificial de conter a deflação só é usada em último caso.

 

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