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por Vivo Seu Dinheiro

Aumento do limite do consignado requer cuidado redobrado

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Desde julho, o brasileiro pode comprometer 5% a mais da sua renda com um empréstimo para pagar despesas com cartão de crédito. O aumento do limite do consignado, de 30% para 35%, ao mesmo tempo em que pode gerar alívio para o bolso, também pode resultar em uma armadilha financeira. Tudo depende da forma como você o utiliza.

É o que aponta Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira. Ele destaca que o maior limite do empréstimo consignado abre uma folga para o consumidor pagar sua fatura, mas alerta que mais de um terço do salário fica comprometido antes mesmo de chegar às suas mãos. “A conta é bem simples: quem ganha R$ 2 mil teria uma redução de R$ 700, ficando com apenas R$ 1,3 mil”, diz.

Nessa modalidade de empréstimo, as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento. Podem aderir trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas.

O aumento do limite do consignado, foi de 30% para 35%.

Como em qualquer empréstimo, recorrer ao consignado depende de planejamento. Foto: Shutterstock

Limite do consignado: o que avaliar

Do ponto de vista da educação financeira, empréstimos e parcelamentos em geral podem levar um consumidor desorganizado a uma situação difícil de sair, criando o famoso efeito bola de neve. Afinal, se com 100% do salário ele já não conseguiu honrar seus pagamentos, com apenas 65% disponíveis no bolso, tende a ficar ainda mais complicado.

Para Domingos, o uso do consignado para pagar despesas com o cartão deve ser considerado para o consumidor já endividado. E a razão está nos juros: enquanto no chamado crédito rotativo (quando você faz o pagamento mínimo da fatura) eles chegam a cerca de 400% ao ano, no empréstimo consignado, se limitam a 27,3%.

Ainda assim, defende o educador financeiro, essa não é uma prática que deve ser recorrente e jamais feita por impulso. Ele lembra que é comum a utilização do crédito consignado para quitação de cheque especial e cartão de crédito, mas a troca de um credor por outro, sem descobrir a causa do verdadeiro problema, apenas alimentará o ciclo do endividamento.

“O problema não são as ferramentas de crédito, mas sim a forma que são utilizadas. O foco não deve ser a resolução da consequência do problema, mas sim da causa, motivando o consumo e o crédito conscientes”, afirma.

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Investir em vez de abusar do limite do consignado

Nessa linha, Domingos sugere calcular o rendimento possível se, em vez de utilizar os R$ 700 do cálculo anterior para consignados, investir esse valor. Em dez anos, seria de aproximadamente R$ 190 mil (rendimento mensal de 0,65% e correção anual de 10% de inflação real).

Por isso, a dica é estudar com calma qualquer proposta de empréstimo, mesmo diante do tentador aumento do limite do consignado. Faça primeiro um diagnóstico das finanças e, se preciso, peça ajuda financeira.

O ideal é colocar todas as despesas no papel e realizar essa análise, que é a única forma de ter certeza sobre qual a melhor decisão a ser tomada. Mutas vezes, você encontrará gastos que podem ser cortados, ou até mesmo eliminados, evitando um novo endividamento.

Outro ponto importante a ser lembrado é que, no caso de funcionários com carteira assinada, uma possível demissão não significa o fim da dívida do empréstimo consignado. Ela permanece, mas sua fonte de rendimentos, não.

 

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